A vida consagrada é um chamado particular de Deus para vivermos em intimidade com Ele. Quando respondemos a esse chamado, entendemos que não pertencemos mais a nós mesmos, mas sim inteiramente a Ele.
Um chamado eterno requer uma resposta também eterna e, por isso, o consagrado é alguém que dá testemunho de que o mundo pode ser diferente, como uma antecipação do eterno. É uma via de santificação e configuração a Cristo. Se a redenção da humanidade passou pela Cruz, a redenção de um chamado também passa por ela: é o seu leito, e ali goza da alegria de viver tudo unido a Cristo.
A marca do eterno em nós impulsiona o “sim” cotidiano, que é dado nos diversos estados de vida, sem perder o caminho de perfeição proporcionado pela vivência dos conselhos evangélicos: pobreza, castidade e obediência.
Viver esses conselhos é permitir que Cristo seja o centro de toda a nossa existência. É compreender que cada renúncia feita por amor a Deus não é uma perda, mas uma oferta de amor.
A pobreza nos ensina a depender de Deus e a reconhecer que tudo o que temos vem d’Ele. A castidade nos movimenta ao verdadeiro amor, dado livremente e inteiramente. A obediência configura a nossa vontade à de Cristo, configurando também a nossa oferta total a Ele.
Assim, a vida consagrada se torna um caminho de entrega diária, no qual cada “sim” nos aproxima mais de Cristo. Não se trata apenas de fazer coisas para Deus, mas de pertencer a Ele por inteiro. É aqui que está a totalidade da alegria de um consagrado: ser inteiramente d’Ele.
O consagrado é chamado a permanecer fiel, mesmo quando não compreende os caminhos que Deus permite. A fidelidade toca a contemplação, pois é na fidelidade das pequenas coisas que o chamado vai se tornando concreto e verdadeiro.
Somos chamados a ser sinais do Reino, testemunhando com a própria vida que Deus basta e que vale a pena entregar tudo por amor.
Por isso, o nosso “sim” não é dado somente uma vez, mas renovado a cada manhã, em cada escolha e em cada dificuldade, até que, unidos definitivamente a Cristo, possamos viver plenamente aquilo que, desde o início, fomos chamados a ser: inteiramente d’Ele.
Por: Suellen Machado Batista Lima (Co-fundadora)