Há um ano, vivi uma experiência que mudou profundamente a minha história. Um acidente me colocou diante da fragilidade da vida de um modo que eu nunca havia experimentado. Foram mais de dezessete fraturas, uma hemorragia grave e dias de espera até que eu estivesse estável para realizar as cirurgias necessárias.
Em meio a tudo isso, compreendi que aquele também seria um caminho de cruz: um caminho no qual eu precisaria aprender, de maneira muito concreta, a me unir a Jesus.
Houve um momento da recuperação em que, humanamente, eu já não sabia mais o que fazer. Na CTI, depois de receber várias bolsas de sangue, a hemorragia continuava. Eu ouvia os aparelhos ao meu redor e via o sangue passando pelo soro. Naquele instante, experimentei profundamente aquilo que tantas vezes tentamos evitar: perceber que existem situações que não estão em nossas mãos.
Foi então que segurei a cruz que trazia no pescoço e falei com Jesus com toda a sinceridade. Disse a Ele que, humanamente, ninguém mais conseguia fazer a hemorragia parar, mas que Ele podia.
Lembrei-me da mulher do Evangelho que, com fé, aproximou-se de Jesus e foi curada ao tocar em Sua veste. Eu não podia ir até Ele. Então fiz uma oração simples: pedi que Ele viesse até mim e me tocasse.
Fechei os olhos e permaneci em oração.
Naquele instante, entrou no quarto uma ministra extraordinária da Sagrada Comunhão, levando Jesus Eucarístico. Ela se aproximou e perguntou: “Você quer recebê-Lo?”
Eu disse que sim.
Naquele momento, experimentei de forma muito concreta a presença de Jesus. Eu havia pedido que Ele viesse até mim, e Ele veio. Não fui eu quem conseguiu chegar até Ele; foi Ele quem se aproximou de mim. Recebi a Eucaristia e, diante da minha impotência, encontrei Aquele em quem eu podia confiar.
No dia seguinte, novos exames foram realizados e a hemorragia havia cessado. A partir dali, foi possível seguir com os cuidados necessários e realizar as cirurgias.
Sei que, naquele processo, Deus também se serviu das mãos, da ciência e do cuidado de tantas pessoas. Mas, para mim, aquela experiência permanece como um sinal muito profundo da Sua presença. Afinal, naquele momento, o Corpo e o Sangue de Jesus também percorriam as minhas veias, encontrando-me justamente na minha vulnerabilidade.
Talvez existam momentos em que também nos encontramos assim: sem saber como determinada situação vai terminar, sem conseguir resolver aquilo que está diante de nós e sem enxergar com clareza o próximo passo. Foi justamente ali que aprendi que a fé não significa ter todas as respostas, mas saber em Quem colocar a nossa confiança.
Naquela noite, eu não sabia o que aconteceria comigo. Mas descobri que não precisava saber tudo sobre o dia seguinte. Bastava reconhecer que Jesus estava comigo naquele momento presente.
Foi assim que experimentei Jesus como Luz dos Homens: não como uma luz distante, mas como Aquele que entra na nossa história, alcança-nos exatamente onde estamos e permanece conosco mesmo quando não conseguimos enxergar o caminho.
Hoje, quando recordo aquela noite, não me lembro somente do medo, da dor ou da incerteza. Lembro-me de que, no momento em que eu já não sabia o que fazer, Jesus veio ao meu encontro.
Eu pedi que Ele viesse até mim e descobri que Ele já estava a caminho.
Por: Leticia Silva